Foram 6 meses complemente parado por causa da hérnia e, depois, por causa da cirurgia. E, para além do peso que ganhei, é mais do que tempo suficiente para perder toda e qualquer forma e preparação que tivesse antes. Se por vezes duas semanas sem correr são complicadas para manter algum ritmo, então 6 meses é a desgraça completa.
Mas ainda assim, lá me inscrevi nesta prova com bastante tempo de antecedência pensando eu que três meses dariam para me preparar minimamente para regressar ao trail. E até davam, se eu tivesse corrido alguma coisa ultimamente.
Cheguei a colocar a minha inscrição à disposição do pessoal da minha equipa, mas a 4 dias da prova decidi, numa daquelas pancadas de última hora, que iria alinhar na partida.
E assim foi.
No sábado antes da prova, enquanto preparava o material para levar, dei com algo curioso no meu porta dorsais. O dorsal da minha última prova tinha sido exactamente o do III do Sor, ou seja, há um ano que não fazia provas (mais uma chicotada psicológica). Isto vai ser bonito vai...
Que se lixe...
O pior que poderia acontecer seria ficar em último.
Á hora da partida (9h) estava o que se pode chamar uma manhã bem fresca com cerca de 33.ºC. Nada de mais, comparando com o que iríamos enfrentar ao longo do percurso.
O truque seria manter um ritmo mais ou menos constante, sem grandes aventuras e sem forçar nas subidas (essas foram feitas quase todas a andar).
Tudo estava minimamente bem, ia conversando com quem encontrava, riamos, brincávamos, dava para um bocadinho de tudo.
Até que chega a subida do km 11. Em termos de desnível até não era grande coisa. O problema é que já estava um calor abrasador e a subida foi feita sem qualquer sombra, brisa ou algo que aliviasse um pouco. Cheguei lá acima já um bocado maçado, depois foi descer até ao abastecimento onde cheguei com algumas tonturas. Demorei algum tempo aqui (mais do que o normal) comi bem e bebi bem, tudo para ver se aquilo dava para arrebitar.
Lá segui caminho e mantive o meu ritmo até ao km 13.... Aí sim, o calor fez gripar o motor. E o melhor seria não forçar. Lá me fui arrastando até à meta :P
(a minha cara à chegada diz tudo).
Foto: Paula Cristina Calha Maurício
Deixo aqui os meus sinceros parabéns a todo o pessoal envolvido na organização do IV Trail do Sor. As previsões apontavam para um dia anormalmente quente e tudo fizeram para que nada faltasse aos atletas. Os pontos de apoio e água foram reforçados e isso fez toda a diferença para todos.
Fica então o registo de mais uma prova feita. A primeira depois da longa paragem e que seja o sinónimo de conseguir voltar ao ritmo.
Próximo desafio: III Trail de Nisa - 15 km (06 de Novembro)




